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JORNAL AENFER N° 117 - Julho/2007 Sumário
Editora Executiva: Silmara Reis
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Palavra da Presidente áCitando música de Milton Nascimento & Roberto Brant PONTA DE AREIA – “Ponta de Areia, Ponto Final, Da Bahia a Minas, Estrada Natural. Que ligava Minas ao Porto, ao Mar. CAMINHOS DE FERRO MANDARAM ARRANCAR. Velho Maquinista com seu boné. Lembro o povo alegre que vinha cortejar. Maria Fumaça não cantam mais. Para moças flores, janelas e quintais. Na praça vazia um grito mais. Casas esquecidas Viúvas nos portais”. Não consideraremos o ponto final após terem mandado arrancar os caminhos de ferro, pois temos uma história de muito trabalho, luta que muito nos orgulhamos e iremos buscar um meio para redesenhar nossas ferrovias. Vamos conhecer um pouco da nossa associação. Em 19 de junho de 1937 reuniram-se, no Sindicato Nacional de Engenheiros, nesta cidade do Rio de Janeiro, no terceiro andar da rua Buenos Ayres n.º 85, 22 engenheiros da Estrada de Ferro Central do Brasil, com a finalidade de criar uma sociedade de classe que aglutinasse os engenheiros da ferrovia. A mesa dirigente provisória foi composta por: PRESIDENTE: ANTONIO ONOFRE DE MORAES LACERDA VOGAIS: DEMOSTHENES ROCKERT E SERGIO MARCONDES DE CASTRO; SECRETÁRIO: FLORIANO RIBAS MARIANNO Neste dia, o presidente propôs que a sociedade fosse denominada “ASSOCIAÇÃO DE ENGENHEIROS DA CENTRAL DO BRASIL”. Convocaram para o dia 21 de junho de 1937, a 1ª Assembléia Geral da AECB, e com a presença de 52 engenheiros iniciaram os trabalhos da AECB. Foi dada a palavra ao eng. Demosthenes Rockert, que entusiasmado explicou aos presentes as finalidades e razões da fundação da nova associação: quero aqui relembrar alguns tópicos de seu discurso: (Veja na pág....) N estes 70 anos de existência temos certeza que o ideal preconizado pelo engenheiro Demosthenes Rockert quando fundou a Associação de Engenheiros da Central do Brasil foi cumprido. Nossa Associação foi a maior e mais importante do país. Chegou a ter aproximadamente 20 mil associados. Ao longo dos anos, desde sua criação, participa efetivamente no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de nossa região, onde sempre defendeu os interesses da engenharia ferroviária. No passado, esteve sempre presente na defesa dos interesses da classe, junto ao antigo DASP. Sua participação na FEBRAE – Federação Brasileira das Associações de Engenheiros e Clube de Engenharia do Rio de Janeiro sempre foi uma constante, aliás como não poderia deixar de ser. É uma Associação de Ferroviários e, como tal, juntamente com suas co-irmãs fundaram a Federação das Associações de Engenheiros Ferroviários – FAEF que ao longo dos últimos anos foi, é e será sempre o refúgio para o abrigo e a defesa dos direitos de todos ferroviários, independente de qual empresa ele pertencer. A ferrovia brasileira será sempre nossa eterna preocupação e o ferroviário, inspiração para nosso trabalho. A Associação não foi formada desde sua criação somente por engenheiros, mas sim por ferroviários da central, de todas as categorias. Por esta razão, desenvolveu diversos projetos na área social e educacional. O mais importante era a carteira de seguro em grupo, que chegou a ter cerca de vinte mil vidas, sendo a maior carteira de seguro privado do gênero no país. Mantinha parceria com a Central do Brasil em seus colégios ao longo de suas linhas, onde muitas vezes construía salas de aulas para atender os filhos de ferroviários. Distribuía bolsas de estudos e materiais escolares para os filhos de ferroviários associados que não tinham condições financeiras. Na área operacional, também, em parceria com a central, fazia melhoria em instalações dos ferroviários ao longo das linhas, como por exemplo: remodelação de dormitório de maquinistas. Para os engenheiros disponibilizou o pecúlio, que atendia as famílias na hora mais difícil – na morte. Administrava, também, consórcio de automóveis e empréstimos pessoais com taxas mais acessíveis. Mas sua participação sempre foi marcante ao longo dos anos nos assuntos referentes à ferrovia: no início os da Central do Brasil e, posteriormente, os da Rede Ferroviária, CBTU, CTPM, FLUMITRENS, CENTRAL e Concessionárias. Objetivando o esclarecimento da opinião pública em torno dos relevantes serviços prestados pela Estrada de Ferro Central do Brasil ao país, a Associação de Engenheiros promoveu uma série de dez palestras pela TV Rio (canal 13), durante as quais destacados engenheiros pertencentes ao seu quadro social e a alta administração da ferrovia, debateram problemas ferroviários do maior interesse para o público em geral e, em particular, para os que são clientes obrigatórios da estrada. Esses programas de televisão de trinta minutos cada um, ao vivo, foram ao ar todas as quintas-feiras e domingos, durante o mês de setembro de 1958. Em 29 de março de 1943, por ocasião dos festejos comemorativos ao octogésimo quinto aniversário da Central do Brasil, a associação transferiu sua sede da sala 759 do Prédio de D. Pedro II, para os andares 18 e 19 na torre. A cessão destes dois andares foi dada a associação pelo então diretor da estrada, Napoleão Alencastro Guimarães e, em contrapartida, a associação teria que transferir para lá e cuidar da biblioteca técnica da Central, montar um auditório para que fossem realizadas palestras e seminários e um restaurante que atenderia não somente seus associados, mas, também toda a população do edifício. A associação ao longo dos anos cumpriu o estabelecido, até que por motivos alheios a sua vontade, quando o edifício passou a ser administrado pelo estado não pode mais ter acesso aos dois andares. Em 19 de junho de 1974, por ocasião da transmissão de cargo de presidente do eng. Carlos Lange de Lima, para o eng. Goyá de Medeiros Trancoso, foi inaugurada a atual sede própria da associação. No início dos anos 90, com os problemas políticos que já começavam a ameaçar a ferrovia brasileira e aos ferroviários, várias ações foram tomadas em sua defesa, por diversas entidades. Na cidade do Rio de Janeiro, iniciou-se o processo de fusão de parte das associações existentes: a Associação de Engenheiros da Administração Geral da Rede Ferroviária Federal S.A – AEAG, da Companhia Brasileira de Trens Urbanos – AE-CBTU. Em 26 de março de 1992, as referidas associações vieram a se fundir com a associação de engenheiros da Estrada de Ferro Central do Brasil e dar origem a atual Associção de Engenheiros Ferroviários – AENFER, permanecendo independente a Associação de Engenheiros da Estrada de Ferro Leopoldina - AEEFL. Nasce, então uma nova entidade de engenheiros, fortalecida e pronta para enfrentar os problemas dos ferroviários e da ferrovia que advinham do processo de desestatização, liquidação e extinção da Rede Ferroviária Federal S.A e da estadualização do subúrbio do Grande Rio e de São Paulo. Ciclo de idas e vindas a Brasília, ora buscando um sonho, ora buscando uma oportunidade de se discutir os nossos problemas e tentarmos minimizar as graves conseqüências de vários atos impensados do governo. Em 1992, iniciamos o que denominamos “a busca da nossa complementação para todos os ferroviários admitidos nas nossas empresas até 21/05/1991”. Esse direito era nosso de fato, mas, infelizmente, foi necessário muito trabalho o qual foi coroado de sucesso, em 2002. Acompanhamos de perto, desde 1998 até agora, todas as propostas de governo relativas a ferrovia: criação da ANTT, DNIT, Diretoria ferroviária do DNIT, Medidas Provisórias, sendo ponto fundamental de apoio para rejeições daquelas nefastas ao país. Participamos em audiências e palestras em ministérios, procuradorias e no congresso nacional e, finalmente, nesta transformação do setor, com a VALEC tornando - se nosso referencial. Não tivemos medo nem receio de solicitar ao governo um projeto nacional para o nosso país. Infelizmente ainda não fomos ouvidos, mas podem ter a certeza não desistiremos, nem esmorecemos, apenas recuamos estrategicamente para nos abastecermos para o segundo momento de luta e trabalho que irá iniciar agora, aliás já começou, podem acreditar. A AENFER é hoje sem sombra de dúvida, uma grande defensora dos direitos dos ferroviários junto ao governo. Nos preocupamos, ainda, com o destino da nossa REFER, do nosso SESEF. Estaremos atentos e buscaremos formas para interagirmos. Na área de Divulgação, a associação sempre se preocupou em possuir um veículo que divulgasse seus trabalhos. Já editou uma revista de trabalhos técnicos e informativos. Esta revista teve vida curta devido a problemas burocráticos, circulando somente por alguns meses. Em fevereiro de 1957, a associação retorna com suas publicações, ocasião na qual lançou: um boletim informativo, que circulou com 19 exemplares até agosto do ano seguinte; em setembro de 1958, a Revista da Associação de Engenheiros – RAE, que circulou por 29 anos, até junho de 1988, seu último exemplar, o de número 156. Tanto no boletim, quanto na revista, a preocupação da Associação de Engenheiros da Estrada de Ferro Central do Brasil era a divulgação de trabalhos técnicos e informações gerais sobre o que acontecia nas ferrovias pelo Brasil e pelo mundo. A AECB, teve o jornal “Locomotivo”. Com o advento da AENFER, este períodico trocou de nome e passou a ser chamado de jornal da AENFER, que circula até a presente data. Considerando que a memória histórica da ferrovia brasileira vem se deteriorando e seus técnicos falecendo e sua história se perdendo, a AENFER elaborou seu programa cultural, que tem como finalidade resgatar e preservar esta memória. Dentre os módulos constantes deste programa destacamos: a recuperação da biblioteca da Central do Brasil, com a criação de um Centro de Documentação, que está recebendo doações de diversos ferroviários os quais estão se desfazendo de seus documentos pessoais; elaboração da história oral, que é o resgate da memória oral da ferrovia, através de depoimentos de ferroviários das diversas categorias; comemoração dos 70 anos da AECB/AENFER, que ora estamos realizando e, dentre em breve a comemoração do 70 anos da eletrificação da EFCB e no próximo ano dos 150 anos da Estrada de Ferro Central do Brasil, a terceira estrada a ser construída no país e a mais importante e, ainda, o lançamento de diversos livros históricos. Esta foi e é a nossa história da qual tanto nos orgulhamos de fazer parte em algum ponto e em algum momento. Esta associação foi criada por engenheiros mas sempre lutou e não poderia deixar de ser pelo país, pela ferrovia e pelos ferroviários. O cenário que está aí poderia ter sido pior, se não tivéssemos uma associação forte e irmanada com outras que lutaram e lutam por todos nós. A AENFER, juntamente com a FAEF e suas co-irmãs, lutaram sempre acompanhadas de toda entidade ferroviária ou não que tenha como objetivo o bem estar do país, da ferrovia e dos ferroviários. Finalizando, lembramos Jung: “deixar que as coisas aconteçam é uma arte que a grande maioria desconhece, pois todos parecem estar sempre querendo ajudar, corrigindo ou negando, sem permitir que os processos se cumpram naturalmente”. O que a vida nos prepara e apresenta de novo raramente corresponde à expectativa consciente dos planos que insistimos em traçar. Pois bem, ainda não conseguimos entender o novo cenário. Deixaremos que as coisas aconteçam, mas não seremos apenas espectadores. Neste cenário seremos sempre atores, pois somos parte integrante e interessados nesse sistema. Não poderemos ficar inertes assistindo o que Milton Nascimento e Roberto Brant cantam em Ponta de Areia: “ Mandaram arrancar os trilhos”. Arrancaram os trilhos e os ferroviários estão ainda sem destino. Mas a história é cíclica, nossos caminhos ainda são de ferro e com a garra, honra e luz dessa categoria ainda escreveremos uma nova história que será podem ter a certeza muito bonita. E como não poderia ser diferente, esta associação estará sempre em qualquer lugar para defender nossos ideais de ontem, de hoje e de sempre. Obrigada aos colegas que, em 19 de junho de 1937, fundaram esta associação, a família ferroviária a qual tenho orgulho de pertencer, aos diretores, aos conselheiros, aos colaboradores, aos empregados. Por tudo isso acredito que o Brasil ainda Trem Jeito! Discurso da presidente da AENFER, Clarice Maria de Aquino Soraggi, na comemoração dos 70 anos da associação.
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Primeira Página áAENFER COMPLETA 70 ANOSAo longo dos seus 70 anos de vida, a Associação de Engenheiros Ferroviários, AENFER, hoje situada na Avenida Presidente Vargas n. 1733, Centro do Rio de Janeiro, continua trilhando seu caminho com a mesma disposição do começo. Para comemorar a data junto com seus associados, a entidade programou diversas festividades. HistóricoCompletando 70 anos de história, sua origem é a Associação de Engenheiros da Estrada de Ferro Central do Brasil – AECB, fundada em 19 de junho de 1937, que em 29 de março de 1992, juntando-se a outras duas Associações de Engenheiros – Administração Geral da Rede Ferroviária Federal, AEAG e Companhia Brasileira de Trens Urbanos, AECBTU – deu origem a AENFER. Desde os primórdios seu quadro associativo esteve aberto a todos os ferroviários: inicialmente aos da Estrada de Ferro Central do Brasil e, posteriormente, no período AENFER aos ferroviários de todo o Brasil. Na época da AECB, chegou a ter 20 mil associados, distribuídos nos estados da Guanabara, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Chegou a possuir a maior carteira de seguro em grupo de entidade de pessoas físicas do país, com cerca de 20 mil vidas e com isto pode desenvolver inúmeros projetos sociais para seus associados. Ao longo de seus 70 anos de atividade, sempre esteve presente na defesa da classe ferroviária, dos destinos da ferrovia nacional e da preservação de sua memória histórica. Participou e ainda participa ativamente no CREA do Rio de Janeiro, onde ocupa uma cadeira no Plenário da Câmara de Engenharia com um representante e um suplente civil. Assim nasceu a AECBNo dia 19 de junho de 1937, reuniram-se à rua Buenos Aires nº 85, 3 o andar, engenheiros da Estrada de Ferro Central do Brasil, com a finalidade de organizar e fundar uma associação de classe. Achavam-se presentes os seguintes engenheiros: Adamastor Pereira de Castro, Alvarino José da Fonseca, Antônio Onofre de Moraes Lacerda, Antônio Pereira Caldas, Augusto Barata, Arthur Thompson, Arthur Thompson Filho, Carlos Horta da Costa, Demosthenes Rockert, Dulce Viana de Andrade, Edgard Alves Pereira da Silva, Eteocles de Souza Maciel, Floriano Ribas Marianno, Hermann Palmeira, Jorge Leal Burlamaqui, Mário Augusto Castilho do Espírito Santo, Nicanor Pereira, Newton Dunham, Octávio Reis de Catanhede Almeida, Pedro Paulo Luiz Moschini, Roberto Magno de Carvalho, Sérgio Marcondes de Castro. Pedindo a palavra, o eng. Demosthenes Rockert explicou que o motivo da reunião se prendia à criação de uma entidade que congregasse os engenheiros de nossa ferrovia, encarecendo a necessidade e as vantagens de um órgão associativo e defensor dos interesses da classe. Estava fundada, assim, a AECB. Resumo da primeira ata de fundação da AECB ocorrida no dia 19 de junho de 1937No dia dezenove de junho de mil novecentos e trinta e sete reuniram-se, no Sindicato Nacional de Engenheiros, nesta cidade do Rio de Janeiro, no terceiro andar da rua Buenos Ayres nº 85, vinte e dois engenheiros da Estrada de Ferro Central do Brasil, com a finalidade de criar uma sociedade de classe que aglutinasse os engenheiros da ferrovia. Pedindo a palavra Demosthenes Rockert explicou o motivo da reunião: “ a criação de uma associação entre os engenheiros da Central do Brasil, encarecendo a necessidade e as vantagens de um órgão associativo, defensor dos interesses dos engenheiros que exercem suas atividades na Estrada de Ferro Central do Brasil ”. Pelos presentes foi unanimente aceita a idéia apresentada e com a palavra Jorge Leal Burlamaqui, pediu que fosse imediatamente designada uma mesa provisória para dirigir os trabalhos, até a organização da Diretoria definitiva. Foi aclamada, logo após, a mesa provisória que ficou assim constituída: Presidente – Antonio Onofre de Moraes Lacerda; vogais – Demosthenes Rockert e Sergio Marcondes de Castro e secretário, Floriano Ribas Marianno. Iniciados os trabalhos, o Sr. Presidente propôs que a sociedade fosse denominada “ Associação de Engenheiros da Central do Brasil ”. Ao término dos trabalhos foi, convocada pelo Sr. Presidente, a 1ª Assembléia Geral da Associação, para o próximo dia vinte e um, de junho no mesmo local e, em seguida, foi declarada encerrada a reunião. Assim sendo, no dia marcado, com a presença de cinqüenta e três engenheiros da Central, foi realizada a 1ª Assembléia Geral da Associação de Engenheiros da Central do Brasil. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Transcrevemos aqui o primeiro discurso do engenheiro Demosthenes Rockert, que aconteceu no dia 21 de junho de 1937, na 1º Assembléia Geral da Associação de Engenheiros da Central do Brasil. Apesar dessas palavras terem sido proferidas há 70 anos, o conteúdo continua atual e pertinente. O discurso foi lido na sede do Sindicato Nacional dos Engenheiros, localizada na rua Buenos Ayres, nº 85 / 3º andar. “Reune-nos aqui um objetivo, que se recomenda por si próprio, no tempo e no espaço. Vamos fundar a Associação de Engenheiros da Central do Brasil. Esta iniciativa seria prematura ontem, e amanhã havia de ser mais que tardia. Esta, a que vivemos no momento, é que é a hora de se organizar o corpo de engenheiros da maior ferrovia brasileira, de vez que, no Brasil, só agora se encontram definidos todos os setores de atividade técnica, impondo-se, por isto, na entrosagem do competente movimento associativo, a presença do grande núcleo que representamos. Até bem pouco o espírito de associação das classes, em geral, desenvolvia-se no Brasil tão só esportivamente, por assim dizer, visto como prescindia dele o Estado, erigido sobre sistemas, cujo teorismo típico dispensava esse adjuntório prático, que outra coisa não são, em última análise, as classes administrativa e politicamente organizadas. A presença no Congresso Nacional da chamada representação classista explica, de sobejo, o avanço do Brasil no sentido de uma administração e de uma política que, a serem executadas em perfeita conexão com o alto espírito que as determinou hão de, sem dúvida, garantir à nossa pátria, bem destacada e honrosa posição entre as nações. É bem certo, todavia, que aos maiores riscos será o Brasil levado, se desvirtuados os legítimos fins a que foi destinada essa grande força nova, chamada depois de 1930, na segunda república, à representação nacional e, pois, ao Governo do país. Organizando-nos em associação de classe, assumimos não pequenos deveres e responsabilidades, tendo em vista, justamente, o momento em que a isso nos dispomos. Mais do que nunca devem hoje os técnicos fazer por honrarem a técnica. É fora de dúvida que, com a racionalização em geral, posta em vigor pela civilização contemporânea, da técnica está dependendo atualmente, muito mais de cinquenta por cento da vida universal. Falando-vos, colegas, não se me faz necessária a demonstração da relevância, a propósito da nossa profissão. Já muito se tem dito que o momento está vivendo a hora da tecnocracia e, pois da engenharia. Quero tão só, com que digo, fixar a importância do nosso mister, tendo-o bem presente no movimento em que, pela primeira vez, os engenheiros da Estrada de Ferro Central do Brasil se reúnem para fundar a sua associação. E estou bem certo que a lembrança constante da nossa profissão, o que vale dizer das nossas responsabilidades técnicas em relação à hora, quer nacional, quer universal, corresponde ao mais constante estímulo para seu enobrecimento. As finalidades desta Associação – que bem sinto ser, já agora, uma entidade viva – são fáceis de presumir, primando entre elas a que definirei como sendo a cristalização do sentimento técnico fraternal, que nos deverá unir perenemente. Estou mesmo em dizer que desse sentimento, e só dele, é que hão de decorrer todos os lucros e as honras todas, porque se há de recomendar de futura a Associação de Engenheiros da Central do Brasil. Em verdade, o que é, afinal, esse sentimento técnico fraternal? É, em síntese, meus caros colegas, todo o nosso programa, para alegria e satisfação nossas, entre nós mesmos, e para honra da nossa Associação, onde quer que se faça sentir. A expressão a que recorri, definindo o que sinto e o que prevejo, encerra um mundo de postulados. E nada tem eles de desagradável para nós, e muito menos de tirânico. As obrigações que deles nos advêm, como que são os reclamos, pelo respeito que todos temos aos nossos títulos. São, precisamente, as obrigações a que se devem considerar sujeitos todos os engenheiros, profissionais que se presam. Por elas não descuraremos do acerto, a que nos devemos sentir sempre como que forçados na execução dos nossos trabalhos, o que implica na afirmação de que, já não sendo estudantes, devemos ser sempre estudiosos. Devem, por isso, as nossas realizações ser conjuntamente, obras de arte e de consciência. A observância desse imperativo, de resto, para honra da Central do Brasil, uma tradição no seu corpo de engenheiros, é a condição primeira do advento daquele referido sentimento técnico-fraternal, que havia de ser inverificável numa classe desprovida da honra de ser constituída por competentes. Ora, a verdade é que são tradicionais a dignidade administrativa e a capacidade técnica dos engenheiros da Central. O que temos, portanto, a fazer é conversar honrosamente estas tradições se possível, honrá-las mais ainda, pelo nosso esforço lhes aumentando os louros. É fácil de compreender que o sentimento de fraternidade é tanto maior numa classe, quanto mais pelos seus méritos individuais se honrarem entre si os seus componentes. Facílimo nos será prestigiarmo-nos desde que nos unamos mutuamente com respeito. Devo dizer que já tendo por conseguido esse verdadeiro ideal, afirmação que faço com a devida reserva em relação a minha pessoa, sobre a qual posso dizer, apenas, que não tem desonrado a classe, em vinte e um anos de trabalho constante, que tantos são os da minha formatura em engenharia. O que resultou, em primeiro lugar, do advento de uma associação, é virem para a planície a luz do sol, os engenheiros da Central do Brasil, trazendo consigo para exposição e debate público, da sombra modesta em que o cultivaram até aqui, o espírito que sempre os animou, do engrandecimento do Brasil no campo dos transportes, ou seja, em assunto do mais empolgante interesse em qualquer país civilizado. Sei para quem estou falando. Parece que já disse tudo... Está fundada a nossa Associação. O que a nossa Central espera de nós bem o sabemos todos e isso se fará! Ela será devidamente honrada pelos seus engenheiros, no grande movimento de classe e associativo para que nos mobilizamos. Ela encontrará em nós, no embate das idéias, nas esferas político-administrativas, os seus intérpretes e defensores mais fiéis. Ela será, em correspondência com a sua força material, expressa, de sobra, nos seus quase quatro mil quilômetros de linha, uma inigualável força espiritual, no setor a que somos agora chamados, do Brasil novo, que espera da capacidade de seus filhos. Não cuidemos, entretanto, meus caros colegas, de velocidade...Pensemos em alturas. Sim, é para subirmos, para erguer o nome de nossa Estrada, e com ele o do Brasil, que nós, os engenheiros da Central, nos organizamos em associação de classe, assim incorporados ao movimento hodierno da nossa política nacional”. Fatos que marcaram a associação durante esses anosBoletins e RevistasNa primeira Reunião Ordinária do Conselho-Diretor da AECB ocorrida em julho de 1937, já havia a preocupação da entidade possuir um canal que pudesse oferecer aos seus sócios, informações técnicas e o dia a dia da ferrovia. Em janeiro de 1940 surgiu a Revista Ferroviária . Em seu primeiro editorial, a revista esclarecia seu objetivo que era intensificar o intercâmbio cultural e científico e divulgar conhecimentos ferroviários entre todos os engenheiros que emprestavam atividades profissionais às estradas de ferro do país, deliberando publicar como elemento de melhor coordenação para atender a essas finalidades. Por motivos internos, em março daquele ano, a revista resolveu cessar sua publicação. Decorrido há alguns anos, a AECB voltou a publicar um boletim, em fevereiro de 1957, durando até agosto do ano seguinte. A partir de setembro de 1958, surgiu a R.A.E. que ganhou grandes proporções sendo inclusive, lida na Europa. Consta na publicação de março e abril de 1970, a informação de que, tendo tido conhecimento da existência da R.A.E. por intermédio de exemplares encaminhados à RENFE (Red Nacional de los Ferrocarriles Españoles), o engº Jesus Lasala, diretor da edição em espanhol, solicitou a remessa da R.A.E. A R.A.E. encerrou em junho de 1988 para dar lugar ao Jornal Locomotivo, em julho de1989. Em novembro de 1982 o jornal passou a se chamar Jornal AENFER Associação na TVO tema “Os grandes problemas ferroviários” foi parar em um programa de TV, em 1958. Nesta época, a Televisão Rio (canal 13), veiculou o assunto promovido pela Associação de Engenheiros, com uma série de dez palestras onde foram debatidos problemas ferroviários de interesse público. Varias vezes a associação participou de programas e entrevistas de TV. Em 1987 na comemoração dos 50 anos da AECB, o diretor Técnico da referida associação, engº Hélio Suêvo Rodrigues, participou do programa da TVE, “Sem Censura”, abordando o cinqüentenário da entidade e falou sobre a exposição de arte realizada na Estação de D. Pedro II. Realizações sociais e assistenciais e títulosObrasA AECB sempre procurou oferecer serviços que fossem de interesse dos associados e de seus familiares. Em 1968, a associação custeou as obras do Ginásio Getúlio Vargas em Sete Lagoas – MG. (Revista da Associação de Engenheiros) Sócio BeneméritoA associação Brasileira de Ferroviários concedeu à AECB o título de Sócio Benemérito, por ocasião da implantação, na Escola Aníbal do Pinho, sediada em Belo Horizonte, do curso ginasial. O diploma foi recebido pelo engenheiro Hernani Eduardo dos Santos, representante da AECB em Minas Gerais. Revista R.A.E., mar/abr 1969. PecúlioA AECB lançou uma iniciativa, o Pecúlio. Daí em diante uma série de estudos assistenciais se tornaram realidade, indo de encontro não só dos sócios efetivos, mas favorecendo também, grande massa de sócios amigos, como em 1969 que o Conselho Diretor da AECB, aprovou o Plano para financiamento de automóveis. Bolsas de EstudoEm 1971 bolsas de estudo foram oferecidas aos dependentes de sócios amigos. O Conselho Deliberativo aprovou relatório que concedia 60 bolsas, cada uma correspondia a três vezes o valor o salário mínimo daquele ano. Novas instalaçõesEm 1972, dentro do plano de benefício aos sócios amigos, foram feitas cantinas e instalações sanitárias das escolas primárias de Corinto, Porto Faria, Várzea da Palma e Santo Hipólito (trecho da IRV 34 maio/jun 1972. Confraternizações dos sócios da AECBO almoço dos aniversariantes do mês era bastante concorrido. A associação comemorava junto com os sócios no 18 o andar do Prédio D. Pedro II. Mais tarde, o evento foi substituído pela AENFER com o coquetel dos aniversariantes, comemorado no mesmo local. (R.A.E., abril/maio/junho/1974) Na Revista R.A.E. out./dez, 1976, fotos dos tradicionais jantares de fim de ano promovidos pela associação, realizados em Belo Horizonte, Juiz de Fora e Rio de Janeiro. Em 1981, os associados da AECB inovaram com um jantar em São José dos Campos-SP. Cerca de cem associados participaram do evento que foi realizado em uma boate tradicional, a Gênesis. (R.A.E, 1981) Nova sede socialO dia 19 de junho se transforma em data festiva para a associação. A AECB ganha uma nova sede social, construída com carinho pela Diretoria, cuja compra foi proposta quando era presidente o engº Adelino Simões de Faria. “Esta data marcará, esperamos o início de uma nova fase na vida da AECB, mas outras do mesmo jaez virão para serem somadas à história de nossa entidade” . Trecho do discurso do presidente, Goya de Medeiros Trancoso, que tomava posse naquela época. Revista R.A.E., abr/mai/jun/ 1974. Algumas Homenagens recebidas pela AENFEREm 1994, na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro - ALERJ, a AENFER recebeu MOÇÃO pelo papel preponderante em defesa da ferrovia e dos ferroviários. Também em 27 de agosto de 1998, recebeu “DESTAQUE DA PRESERVAÇÃO FERROVIÁRIA”, da Fundação Educacional de Além Paraíba – FEAP e do Centro de Desenvolvimento Institucional – CDI . Palestras realizadas na sede da AENFERInovações Tencológicas e suas Transferências . Esse assunto que foi abordado pelo engº Samuel Goltsman, está registrado na Revista R.A.E, ago/1985 Em 06 de agosto de 1986 com o engº Américo Maia Vasconcelos Neto (presidente da CBTU), sobre “ O papel da CBTU na política de transportes urbanos no país” . E em 10 de setembro do mesmo ano, palestra com o engº Osíris Sternghel Guimarães, presidente da RFFSA, tema: “Programa para conclusão da ferrovia do aço. Revista R.A.E., mar/1987 Em 1992, recebeu em sua sede a visita do então Ministro de Estado dos Transportes, Alberto Goldmann e em 1998, do Ministro Eliseu Padilha. A AENFER foi integrante do Movimento O BRASIL TREM JEITO. Período de mudançasNos últimos quinze anos, com a mudança do cenário político de nossas ferrovias, a AENFER passou a conviver com problemas políticos de envergadura nacional. Teve de se posicionar na defesa da ferrovia e do ferroviário do país. Vivenciou durante este período a estadualização e desestatização do Subúrbio do Grande Rio, a defesa da injusta demissão de ferroviários no processo de estadualização da ferrovia, a criação na ALERJ e na Câmara de Vereadores de uma Frente Parlamentar, Comissões Parlamentares de Inquéritos – CPIs, Audiências Públicas. Impetrou ações judiciais contra a desestatização da ferrovia no Estado e em âmbito nacional, quando da desestatização das malhas ferroviárias da RFFSA. Acompanhou de perto os processos de desestatização, liquidação e extinção da RFFSA, projeto de criação da Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT, chegando, no ano de 2005 com seu trabalho, a participar efetivamente, na “derrubada” das Medidas Provisórias 245 e 246, editadas pelo Governo Federal para a extinção da RFFSA e, também, na criação de uma Diretoria Ferroviária no Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes – DNIT. O papel da AENFER foi preponderante nessas lutas como, também, em defesa do ferroviário, quando teve participação fundamental na extensão da complementação salarial para a classe e de coadjuvante nos Dissídios Coletivos. Sua participação, também, tem sido relevante na elaboração de propostas alternativas de soluções para o Setor Ferroviário de abrangência Nacional, Estadual e Municipal. É uma constante vigilante na defesa dos interesses dos ferroviários junto a REFER – Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social e ao SESEF – Serviço Social das Estradas de Ferro. E, ainda, tem se preocupado com a preservação do acervo técnico e do patrimônio histórico ferroviário, através de seu projeto de preservação da memória ferroviária. Comemoração 70 anosA comemoração dos 70 anos da AENFER foi marcada pela alegria. Ferroviários, familiares e amigos prestigiaram a data e compareceram aos eventos realizados pela entidade que começaram com missa em ação de graças, no dia 18 de junho, no Convento de Santo Antônio, Largo da Carioca, Centro do Rio de Janeiro. Celebrada pelo frei Anselmo, a missa teve início às 11h e reuniu ferroviários que juntos foram rezar e agradecer a Deus pela passagem desta data festiva. Durante a celebração, frei Anselmo falou sobre a importância e a alegria que a entidade tem dado aos associados ao longo desses 70 anos. Lembrou também, dos engenheiros já falecidos que muito contribuíram com a ferrovia. As engenheiras Clarice Soraggi, presidente da associação e Isabel Junqueira, conselheira e assessora da Diretoria, participaram no momento de abertura da missa com as duas primeiras leituras e a diretora social Telma Regina fez as preces da comunidade que pediam pelos governantes, para que Deus os iluminem na condução do destino da ferrovia de nosso país e em especial, para que aqueles que dirigem a Associação de Engenheiros Ferroviários, continuem sendo iluminados por Deus, na luta pela defesa dos destinos da ferrovia do país e dos direitos dos ferroviários, além de dirigentes de entidades sindicais e associativas, para que juntos possam defender os destinos da imensa família ferroviária brasileira. Ao final da cerimônia, ferroviários emocionados, se abraçaram. SESSÃO SOLENE DOS 70 ANOS DA AENFERCONDECORAÇÃO ENG. PAULO DE FRONTINNa manhã de terça-feira do dia 19 de junho, várias homenagens foram prestadas, além da Condecoração Engenheiro Paulo de Frontin que é concedida todos os anos àqueles que tiveram destaque, contribuíram para o progresso da ferrovia e deixaram registrados seus trabalhos. Este ano os agraciados foram: NELSON MÁRIO JOSÉ ASSAD - Engenheiro civil e eletrotécnico, diplomado pela Escola de Engenharia de Juiz de Fora, em dezembro de 1944. Trabalhou como topógrafo da Prefeitura Municipal daquela cidade ingressando, como universitário, nos quadros da Estrada de Ferro Central do Brasil, em 1942, como condutor técnico. Licenciou-se da EFCB, exerceu as funções de Diretor Industrial da Usina de Neves, da Companhia Brasileira de Usinas Metalúrgicas e da Conservas Coqueiro, em São Gonçalo /RJ, indústrias nas quais se especializou em Engenharia Mecânica, Metalúrgica e Industrial, tendo implantado planos de incentivo nas diversas linhas de produção daquelas indústrias. Como Engenheiro Consultor de rodovias, chefiou as equipes de Projetos: Geométrico, de Drenagem, de Pontes e de Paisagismo, de várias rodovias federais, entre as quais a Belém-Brasília, Juiz de Fora-Caxambu para a Euler Consultoria. Foi agraciado, pela RFFSA, em 1979, com a Medalha do Mérito Ferroviário. É Membro da A.R.E.M.A. – (American Railway Engineering and Maintenance-of-Way Ass) desde 1972. Apresentou diversos estudos em congressos de Engenharia Ferroviária da ABNT e outros, com divulgação restrita, entre os quais um sobre Aparelhos de Mudança de Via para Trens de Alta Velocidade. O engenheiro Nelson Assad, muito emocionado, recebeu a medalha e o diploma das mãos da presidente Clarice e do diretor Pedro Paulo. Sua esposa estava presente. RUBEM SÉRGIO DA SILVEIRA LUCAS , “In memorian” - Foi filho de ferroviário, tendo seu pai sido chefe da antiga estação da Central. Engenheiro ferroviário, formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com diversos cursos de especialização, destacando-se o da Escola Superior de Guerra e o Gerenciamento Ferroviário em Paris. Iniciou sua carreira como engenheiro residente em Mogi das Cruzes, sendo posteriormente chefe de unidade e assessor do Departamento de Via Permanente da SR-3. Na AENFER, foi por vários mandatos, membro do Conselho Deliberativo. Rubem tinha, dentre suas bandeiras, com relação à ferrovia, a modernização do gerenciamento do transporte e a integração dos modais. Quanto aos ferroviários e, mais especificamente, a associação de engenheiros, sempre pregou a fusão de todas as associações, sonho que pode, ainda neste plano, ver realizado. Rubem Sérgio amava a ferrovia e amava ser ferroviário. Onde quer que esteja, hoje é um dia de alegria para Rubem Sérgio. Sua filha recebeu das mãos da presidente Clarice e do diretor Sérgio Murilo a medalha e o diploma. Sua esposa, filhos e seu irmão compareceram. LUIZ LOURENÇO DE OLIVEIRA – formou-se em engenheiro mecânico pela Universidade do Estado da Guanabara, atual UERJ, em 1969. Trabalhou nas empresas: construtora Baccarini; Soloteste Engenharia; REFER e RFFSA. Ocupou vários cargos de assessoria e gerência, dentre eles: assistente-técnico da Diretoria Colegiada e assessor especial da Superintendência Administrativa (responsável pelo edifício sede da empresa). Na REFER galgou o importante cargo de diretor de seguridade. Foi, ainda, membro do Conselho de Administração da MAFERSA e do Conselho Fiscal da RFFSA. Atuou como membro de órgãos de representação classista e de entidades culturais, tendo exercido as relevantes funções de presidente da Associação de Engenheiros da Administração Geral da RFFSA; presidente da Federação das Associações de Engenheiros Ferroviários e diretor executivo da AMUTREM/RJ. O engenheiro Luiz Lourenço recebeu, na presença de seu filho e da platéia, a medalha e o diploma das mãos da presidente Clarice e da conselheira Isabel Junqueira. PEDRO DE OLIVEIRA – Advogado, Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 18 de julho de 1926. Seu avô, Vicente de Paulo d'Oliveira foi maquinista da EFCB e seu pai, aluno da primeira turma da Escola Profissional Silva Freire, tendo completado o seu curso em 1906 e posteriormente ingressou na Marinha de Guerra, por concurso público, onde se reformou como capitão-tenente. Ingressou, por concurso, na EFCB em 1946 e começou a trabalhar na Secção Financeira do Departamento de Pessoal, na incumbência de confeccionar as folhas de pagamento. Em 1959, já na condição de procurador de 1ª Categoria ocupou cargo de assistente do Departamento de Pessoal e, logo em seguida, nomeado para a chefia do referido órgão. Em 1962, foi alçado ao cargo de assistente do Departamento Jurídico até 1973, onde passou a chefe desse departamento, cargo que ocupou até a aposentadoria em 1982. Em 1985, ocupou o cargo de assistente jurídico do Serviço Social das Ferrovias - SESEF, e, em 1987, pediu para ser dispensado. Em 1994 foi designado superintendente jurídico da Rede Ferroviária Federal e, em 1995, por incompatibilidade com o presidente da época, recebeu dispensa do cargo. Dr. Pedro recebeu a medalha e o diploma da engenheira Clarice, nossa presidente, e discursou agradecendo pelo título recebido em uma casa de engenheiros. HOMENAGENSDurante o evento, compuseram a mesa o representante do CREA-RJ, Paulo Roberto Sad; o representante regional dos Correios, Sérgio Câmara Lima; a eng.ª Clarice Soraggi, o procurador regional da República, Luis Cláudio Pereira Leivas e o Cel. Renato Araújo, Diretor da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil. Na ocasião, a presidente Clarice Soraggi foi surpreendida e homenageada pelos seus colegas por sua dedicação sem limites na defesa da ferrovia e dos ferroviários, na preservação da cultura e da memória ferroviária, pela sua participação no planejamento institucional do setor de transporte ferroviário nacional e por importantes questões ligadas ao desenvolvimento da engenharia, em benefício da nação. Para Clarice, foram entregues diploma e um buquê de flores. O diploma refere-se ao título de associada Benemérita, como reconhecimento pelos relevantes serviços prestados à AENFER e as causas por ela encampadas, honraria da qual Clarice é altamente merecedora. Durante toda a história da Associação, a engenheira Clarice é a segunda pessoa escolhida para receber esse título. O primeiro foi concedido ao engenheiro Demosthenes Rockert, em 12 de setembro de 1950. Na 149ª Reunião Ordinária do Conselho Diretor, realizada em 12 de setembro de 1950, foi proposto o Título de Sócio Benemérito ao engenheiro Demosthenes Rockert, em reconhecimento por ter sido ele, o idealizador e principal aglutinador para a criação da Associação de Engenheiros da Central do Brasil; pelo trabalho ininterrupto prestado a Entidade desde a sua fundação, tendo ocupado a sua presidência por dois mandatos; e pelos serviços prestados a Estrada, em todos os postos que ocupou, culminando na grande contribuição para ligação norte / sul do país. Assim sendo, na 30ª Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 25 de outubro de 1950, convocada por sessenta associados, foi conferido a ele, o Título de Sócio Benemérito. Na Reunião de Diretoria da Associação de Engenheiros Ferroviários – AENFER, realizada em 3 de abril deste ano, foi proposta a concessão do título de Sócio Benemérito a engenheira Clarice Maria de Aquino Soraggi. Assim sendo, na 188ª Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo, realizada em 17 de abril passado, como preconiza o Estatuto de nossa Entidade, foi colocada em votação o pleito da Diretoria e aprovado. A concessão do Título de Sócio Benemérito à Presidente Clarice Soraggi foi baseada em sua dedicação, sem limites, na defesa da ferrovia e dos ferroviários; na preservação da cultura e da memória ferroviária; na sua participação no planejamento institucional do Setor de Transporte Ferroviário Nacional e em importantes questões ligadas ao desenvolvimento da engenharia em benefício da nação; na sua articulação com outras Entidades na busca do atendimento dos mais lídimos interesses das classes ferroviárias, e em particular dos associados da AENFER; sua persistência nas lutas que travou, redundou em grandes vitórias, as quais trouxeram benefícios incomensuráveis para os ferroviários. Como aconteceu com o engenheiro Demosthenes, foi entregue junto com o Título de Sócio Benemérito da AENFER, cópia da Ata da Reunião do Conselho Deliberativo que aprovou o pertinente diploma. LANÇAMENTOS – PLACA, CARIMBO E SELO AENFERDurante a solenidade, aconteceram também os lançamentos da placa dos 70 anos da Associação, descerrada pelo diretor Cultural e de Preservação Ferroviária Rubem Eduardo Ladeira e pela diretora Social Telma Regina Jorge da Silva, obliteração do carimbo comemorativo e do selo personalizado alusivos aos 70 anos da AENFER, pela engenheira Clarice Soraggi e pelo representante da Diretoria Regional dos Correios, Sérgio Câmara Lima. A obra gráfica do carimbo e do selo foi realizada pelo programador-visual da RFFSA, João Dias. O selo e o carimbo, lançados pelo Ministério das Comunicações e os Correios, circularão nas peças filatélicas e correspondências da instituição que pleiteou sua emissão, propagando e perpetuando o tema que lhe deu origem e passarão a fazer parte do acervo filatélico dos Correios e servirão de fonte de pesquisa e registro de tão importante acontecimento do contexto histórico e sócio cultural-brasileiro. Funcionários da AENFER foram lembrados e homenageados também pela da Diretoria da instituição pelos anos de serviços e apoio logístico prestados durante esses anos. Amigos para sempreCom o objetivo de homenagear os associados da AENFER, a instituição escolheu algumas categorias de associados para representar todos eles: associado amigo mais idoso - Geraldo de Aquino Chaves associada contribuinte mais idosa: Aída de Felipes associado com a matrícula mais antiga - Alcino Vianna de Aguiar, nascido em 27 de fevereiro de 1918. associado efetivo mais idoso, Romero Alves Gonçalves Ferreira - homenageado em Belo Horizonte. Um fato curioso marcou o evento. O sócio amigo mais idoso, Geraldo de Aquino Chaves de 95 anos, chegou no final sessão solene. Ele foi recebido com efusivos aplausos e surpreendeu a todos pela sua disposição e bom humor. Almoço dos 70 anos da AENFEREm celebração aos 70 anos da AENFER, a associação também festejou com um almoço que aconteceu no dia 20 de junho e contou com a presença de vários ferroviários, familiares, amigos e sócios desta instituição. O evento realizado em um restaurante localizado no Centro do Rio de Janeiro foi muito animado e deu mais uma oportunidade de antigos amigos se confraternizarem numa data tão importante para a Associação. No almoço compareceram diretores da AENFER, funcionários da CENTRAL Logística, RFFSA, CBTU, representantes do CREA-RJ, Clube de Engenharia, ex-presidentes e superintendentes das empresas ferroviárias, a vereadora Leila do Flamengo, dentre outras autoridades, além de ferroviários aposentados e convidados. Almoço em Juiz de ForaFoi organizado pelo associado Roberto Marzani e contou com a presença de muitos colegas, dentre eles, ex-diretores e superintendentes das empresas ferroviárias. O evento foi marcado pela confraternização entre os amigos daquela cidade e a comitiva da AENFER que não se viam há algum tempo. Almoço em Belo HorizonteFoi organizado pelo associado Sérgio Messeder e teve a marca da descontração, uma vez que foi realizado na sede própria da AENCO, (Associação de Engenheiros da Aviação Férrea Centro-Oeste). Contou com a presença de ex-diretores das empresas ferroviárias e ex-superintendentes da Regional Belo Horizonte, além de ferroviários e seus familiares. Na ocasião foi prestada homenagem ao associado efetivo mais idoso, Romero Alves Gonçalves Ferreira, que estava acompanhado de seu filho. |
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Bate Papo á O CAVALEIRO DA ESPERANÇA Alegria, tristeza e saudade sentaram-se conosco no auditório Demosthenes Rockert quando da cerimônia de entrega da medalha Paulo de Frontin, realizada no dia 19 de junho de 2007. Ficamos alegres com a possibilidade de homenagearmos ilustres e verdadeiros ferroviários, que dedicaram suas vidas à RFFSA e com a entrega à Clarice do tão merecido título de sócia benemérita da AENFER por todos os serviços prestados à entidade e a cada um de nós. Certamente nossos corações bateram mais forte quando a placa em homenagem a todos os ferroviários que amaram e amam a RFFSA, a ferrovia e o país, foi descerrada. Mas a tristeza e a saudade também estavam lá. Saudade dos amigos que já partiram para o plano espiritual, saudade de um tempo não vivido por inteiro pela minha geração, quando mais podíamos dar à nossa empresa. Saudade dessa “REDE” que já não existe mais na prática, mas que teima em resistir dentro dos nossos corações, tristeza por tudo o que está ocorrendo com a CENTRAL e seus funcionários, com o patrimônio ferroviário nacional, tristeza com o desrespeito aos nossos direitos, conquistados na justiça e por justiça. Saudade, tristeza e um pouco de alegria juntaram-se a cada grupo na sala de recepção após a cerimônia. Mas onde estava a ESPERANÇA, convidada pela Clarice em seu discurso? Ela que nunca havia faltado parecia que naquele dia não viria. Foi quando “aos quarenta e cinco do segundo tempo”, com a placa de acréscimos já levantada, eis que surge um “jovem cavaleiro solitário”, de noventa e cinco (95) anos, usando bermudas, tênis, camisa verde, bonezinho, esbanjando saúde. Era o sócio mais antigo da AENFER, oriundo da AEEFCB, que viera para prestigiar a festa, receber seu diploma e, talvez, sem ter percebido, trazer pela mão a ESPERANÇA. Lembrar, no seu exemplo, como disse o poeta, que a vida não é só isso que se vê. É um pouco mais, que os olhos não conseguem perceber, que as mãos não ousam tocar, que os pés recusam pisar, que as balas não conseguem atingir, nem os tolos têm o poder de acabar. A tristeza? Ah! A tristeza abriu um largo sorriso, se abraçou com a alegria e a saudade e comandadas pela esperança, deram as mãos a todos que ali estavam para lembrar que a luta continua, que um mais um é sempre mais que dois, e que sonho que não se sonha sozinho vira realidade. Engº Sérgio Murilo Ramos de Paiva – Dir. Produtos e Serviços
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