Em matéria veiculada no Jornal O Dia, (15/03) pelo repórter Mahomed Saigg, o engenheiro Lars Walther se mostrou preocupado com o sistema operacional do Metrô Rio e disse que a empresa tem que agir rápido para se adaptar para as Olimpíadas de 2016.
Contratado para adaptar o metrô de Londres, capital da Inglaterra, às necessidades da sede olímpica de 2012, o engenheiro participou semana passada do 7º Seminário Nacional Metroferroviário realizado no Rio de Janeiro. Um dos consultores mais respeitados do mundo sobre o assunto, Walther destacou a necessidade de o Metrô Rio comprar novos trens e disse que é preciso investir em tecnologia para garantir a segurança da população. A ele foi perguntado se existe a possibilidade de o Metrô reverter a atual situação em que se encontra, como constantes panes e superlotação, antes dos Jogos Olímpicos de 2016. O engenheiro foi enfático em responder que não existe nenhuma mágica e sim, investir no setor.
“O primeiro passo é identificar o que está provocando essas panes, para que se possam definir estratégias capazes de solucioná-las. Mas é preciso começar a agir logo, para que tudo esteja pronto dentro do prazo estabelecido pelo COI (Comitê Olímpico Internacional). Senão, o Rio poderá ter sérios problemas para conseguir atender a todos os turistas que estarão na cidade para os Jogos Olímpicos”, disse.
Continuaç perguntas feitas pelo Jornal O Dia
- A direção da concessionária Metrô Rio anunciou que não há o que fazer para solucionar os problemas do setor até a chegada dos 114 novos trens comprados pela concessionária, prevista para o fim de 2011. É a única saída para a crise?
- Comprar novos trens é sempre muito importante para melhorar a qualidade do serviço. Quanto mais trens novos, melhor. Mas não acho que tudo se resolva só com a compra de novos trens. É preciso investir em tecnologia de operação e também em sinalização, para que se possa realmente garantir a segurança dos passageiros durante a viagem.
- Em média, as composições usadas no metrô do Rio de Janeiro têm cerca de 40 anos. Pode-se dizer que a frota já está ultrapassada?
- Em Londres, a maioria dos trens estava com idade de 30 anos de uso, o que já é considerado tempo recomendado para substituição. É claro que há como se prolongar essa vida útil com reformas, mas chega-se a um ponto em que a tecnologia dos vagões fica incompatível com a utilizada no sistema de operação. Se considerarmos que em 2016 os trens do Rio terão quase 50 anos de uso, fica evidente a necessidade de substituição. É como se você ficasse décadas com o mesmo carro, só fazendo reparos. Por mais que se faça manutenção, ele não deixará de ser um veículo velho e ultrapassado.
- A Metrô Rio adotou um sistema em que duas linhas se cruzam, chamada operação em Y, para fazer a conexão direta. É uma operação segura?
- Este tipo de operação é, sim, arriscada. Mas acho que a Metrô Rio não tinha outra opção. Se você quer aumentar a capacidade do sistema, precisa usar esse Y. Outra possibilidade seria construir uma nova linha ao lado da existente, mas não há espaço para isso. Você pode eliminar todos esses riscos, tecnicamente falando, com o gerenciamento de operação. É possível, sim.
- O governo do estado anunciou que as obras da Linha 4 do metrô começam ainda este mês. Não seria hora de se pensar em melhorar o sistema existente antes de ampliá-lo?
- As duas coisas podem acontecer ao mesmo tempo. Até porque ampliar a rede e construir novas estações são ações tão importantes quanto melhorar a qualidade do serviço. E para executar esses projetos você leva tempo, anos. É importante que não se deixe de pensar na ampliação do sistema por causa dos problemas já existentes. Mas também é preciso que eles sejam resolvidos. Caso contrário, vão só aumentar e atingir ainda mais pessoas.
- O metrô de Londres já está pronto para receber as Olimpíadas de 2012?
- Pronto, ainda não. Mas já estamos muito perto de concluir os trabalhos. Como o sistema lá não vinha enfrentando grandes problemas, nosso trabalho foi mais direcionado à otimização dos sistemas de sinalização e de energia, para que não faltasse energia para os trens. Todo o investimento foi baseado em estudos técnicos que consideraram o aumento do volume de passageiros durante a Olimpíada.
Fonte: Jornal o Dia, 15/03/10