Na próxima semana a minuta de edital e o contrato para construção do trem de
alta velocidade (TAV) que ligará o Rio de Janeiro (RJ) a Campinas (SP),
passando por São Paulo (SP), será colocado em consulta pública na internet.
A consulta publica terá duração de um mês.
Em janeiro, serão realizadas audiências públicas no Rio de Janeiro (RJ), São
Paulo (SP), Campinas (SP), São José dos Campos (SP) e Barra Mansa/Volta
Redonda (RJ). O edital deve ser publicado em fevereiro.
As propostas apresentadas pelas empresas interessadas serão abertas no final
de maio. O vencedor será o consórcio que demandar menos investimento público
e oferecer a tarifa mais baixa. A empresa ou consórcio vencedor ficará
responsável pela construção e terá a concessão do serviço pelo período de 40
anos.
Segundo o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio
Passos, o vencedor do leilão será quem oferecer a menor demanda por
financiamento público, aliada à menor tarifa teto para as viagens no trem. O
valor total do projeto com investimentos públicos e privados chegará a R$
34,6 bilhões.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai colocar à
disposição até R$ 20,9 bilhões. Outros R$ 3,3 bilhões deverão ser ofertados
pelo eximbank (banco de comércio exterior) do país de onde virá o consórcio
vencedor. Devem participar do leilão empresas do Japão, China, Coréia do
Sul, Alemanha, França, Itália e Espanha.
Além desse financiamento, deverá ser criada uma empresa no modelo Sociedade
de Propósito Específico (SPE) para construir e manter o trem-bala. Uma
empresa pública de engenharia e tecnologia será criada pelo governo
brasileiro para receber a transferência de tecnologia – condição para a
participação no leilão – e aportar 30% de capital na SPE que irá gerenciar o
trem.
Assim, na formação das empresas, serão aplicados R$ 7 bilhões de capital
privado na formação da SPE e R$ 3,3 bilhões de capital do Tesouro Nacional
na criação da nova empresa pública – numa divisão de 70% investimento
privado e 30% público no capital próprio do trem.
Passos refutou a possibilidade de o governo assumir riscos de demanda para
as empresas privadas que participarem do consórcio ganhador. “Não é possível
assumir risco de demanda levando-se em consideração a dimensão da
participação do governo no projeto”, afirmou o secretário-executivo ao
voltar de reunião com o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e com
o presidente Luís Inácio Lula da Silva.
Ele também afirmou que essas empresas terão que comprovar experiência em
projetos desse porte e que detém tecnologia a ser repassada para o Brasil.
Questionado se há possibilidade de que o empreendimento fique pronto até a
Copa de 2014, Passos foi cauteloso.
Segundo ele, o cronograma para o funcionamento do trem só será conhecido
após o leilão. “É pouco provável em 2014, o prazo é meio estreito, o projetoé complexo. Mas não se pode firmar posição por conta de uma coisa que só
será conhecida na licitação”, afirmou.
Agência Brasil, 07/12/2009