As francesas Alstom e SCNF garantem: o trem de alta velocidade (TAV)
que o Brasil está planejando só ficará pronto - mesmo com muita
correria - para as Olimpíadas de 2016. Para a Copa do Mundo, em 2014,
nem pensar. "Temos todo interesse e capacidade tecnológica para tocar
esse projeto", garante Phillipe Mellier, presidente da Alstom
Transporte, em seu escritório austero na sede, também austera, da
companhia, em Paris. "Mas o trem de alta velocidade que vai unir São
Paulo, Rio e Campinas vai depender, em um primeiro estágio, de
desapropriações e obras públicas. Mesmo que elas comecem logo, não há
tempo para entregar até 2014."
Nessa mesma linha, o executivo Pascal Lupo, presidente do braço
internacional da SCNF, maior operadora de trens da França, considera
que não há mais tempo para que o TAV esteja pronto até a Copa: "Para
as Olimpíadas é viável, antes, não. Estamos dedicando esforços para
esse projeto no Brasil, mas não será possível tê-lo pronto até 2014".
Na sóbria sede da SCNF em Paris não faltam alusões ao Brasil,
incluindo duas pequenas bandeiras dos dois paises em um mesmo
pedestal, na mesa em que Lupo dá entrevistas. Mais ainda, ele informou
que dois peritos da companhia viajaram nesta última terça-feira, dia
24, ao País, para verificar realmente in loco 80 pontos que ainda
geram duvidas na empresa. Ele justifica esses cuidados ao lembrar que
o projeto de trem de alta velocidade brasileiro exige cuidados
especiais.
Trecho - O trecho tem pouco mais de 500 quilômetros, distância
semelhante à que existe entre as cidades francesas de Paris e Lion,
trecho em que existe um trem de alta velocidade de muita demanda de
passageiros. Mas o Brasil tem características próprias, como um trecho
em que a inclinação máxima é de 2,5 por cento. "Precisamos achar uma
solução para problemas como esse, já que nosso objetivo é ganhar a
licitação, que deve sair até o fim deste ano", afirmou.
Phillipe Mellier, da Alstom Transporte, também aposta no projeto,
apesar de ter de enfrentar concorrentes de peso da Alemanha, Espanha,
Japão e Coreia. Ele confia que a Alstom levará a melhor pela
experiência que tem no setor: "Temos projetos bem-sucedidos em países
de características diferentes entre si, como Coreia do Sul, Taiwan,
Arábia Saudita e Alemanha. Em cada um desses projetos é preciso
oferecer soluções compatíveis com as necessidades do país. E tem dado
certo nos projetos da Alstom, principalmente quando aliamos nossa
experiência em maquinário aos serviços de alto nível em operações da
SNCF".
Mellier, assim como Pascal Lupo, da SNCF, não fazem estimativa de
preço do projeto. "Há muitas variáveis a definir para poder falar do
custo total", garante Lupo. Também para Mellier é prematuro fazer
previsões: "Já vimos várias estimativas de bilhões de euros, mas ainda
não é possível fazer uma previsão correta".
Apesar das indefinições, a Alstom continua a manter conversações com
empreiteiras brasileiras para definir como será composto o consórcio
que vai disputar o trem de alta velocidade brasileiro. Ele lembra que
em relação a equipamentos a companhia não prevê dificuldades, já que
tem duas fábricas no Brasil: "Estamos prontos para entrar nessa
disputa", assegura.
"Financiamento também não será problema porque já fizemos contatos com
os bancos. Também temos experiência em transferência de tecnologia,
como aconteceu na Coreia. Agora, só falta o governo brasileiro
publicar o edital", afirmou ele.
Fonte: DCI - 26/11/2009