O valor da tarifa do futuro Bilhete Integrado Metropolitano
(BIM) - sistema pelo qual o usuário do transporte público
na Região Metropolitana poderá se deslocar por um determinado
tempo usando um bilhete eletrônico - continuará a ser
administrado pelo poder público, garante Paulo Menezes, gerente
de planejamento financeiro do Metrô. A empresa que ganhar a
licitação para prestar os serviços de arrecadação
das tarifas do Metrô, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos
(CPTM) e da São Paulo Transporte (SPTrans), que administra
os ônibus na capital, terá de pagar uma remuneração
mensal ao poder concedente e não deverá opinar sobre
o valor das passagens, diz o técnico.
"É o poder contratante - governo do Estado e a Prefeitura
de São Paulo - que definirá os valores das tarifas.
A empresa que ganhar a concorrência apenas prestará os
serviços de arrecadação", afirma Menezes.
O usuário terá um bilhete inteligente carregado com
um certo valor de crédito que será descontado nas viagens
a serem feitas no sistema integrado.
Estudo realizado para o Metrô, que administra
a licitação, mostra que a empresa ou consórcio
que vencer a concorrência terá lucro líquido de
R$ 185 milhões por ano, já descontados cerca de R$ 18
milhões anuais que deverão ser remetidos ao governo
e à Prefeitura.
O dinheiro entrará nos cofres da empresa a
partir do terceiro ano de concessão. Segundo Menezes, os R$
18 milhões são referentes ao direito de explorar os
no vos nicho de mercado que aparecerão com o BIM, como cartões,
porta-moedas e outras tecnologias previstas para dar suporte ao bilhete.
O vencedor da licitação do BIM também terá
de pagar pelo menos R$ 200 milhões à Prefeitura pelos
investimentos já realizados na implementação
do bilhete único eletrônico na capital, além de
investir R$ 310 milhões para instalar o novo sistema. Entre
as tecnologias a serem adotadas no BIM está o cartão
inteligente, cartões de crédito e de débito e
até equipamentos de validação de bilhetes nas
catracas com créditos armazenados em celulares, por exemplo.
O sistema de operação será totalmente
terceirizado, como antecipou ontem o Estado. Metrô, CPTM e SPTrans
arrecadam hoje R$ 4,6 bilhões por ano. São mais de 4,1
bilhões de viagens anuais. Do total arrecadado sairá,
como hoje, a verba para manter e renovar as frotas, além de
pagamento dos serviços das operadoras do transporte público.
A licitação do BIM deverá ter início em
julho, com assinatura do contrato no final do ano. O vencedor implementará
o bilhete inteligente em 24 meses.
O Estado de SP - 15/05/2009